Com dramaturgia do chileno Guillermo Calderón, o espetáculo “Villa” estreia no Sesc Pinheiros, em São Paulo

 

Espetáculo dirigido por Diego Moschkovich revela opiniões de três mulheres sobre a terrível ditadura de Augusto Pinochet e seu principal centro de tortura, a Villa Grimaldi.

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A memória coletiva sobre a Ditadura Militar no Chile (1973-1990) é tema do espetáculo Villa, do premiado dramaturgo e diretor chileno Guillermo Calderón, que estreia no dia 25 de outubro no auditório do Sesc Pinheiros e segue em cartaz até 24 de novembro. O espetáculo tem direção de Diego Moschkovich e elenco formado por Flávia Strongolli, Rita Pisano e Angela Ribeiro.

Na trama, três mulheres avaliam diferentes propostas sobre o que fazer com a Villa Grimaldi, um dos mais famosos centros de tortura e extermínio na ditadura do chileno Augusto Pinochet (1915-2006). Em torno de uma mesa, elas discutem dilemas atuais de organizações de direitos humanos e o presente dos espaços ligados à violência do Estado. Como explicar o horror do passado sem cair em uma produção de parque temático ou na fria reprodução de um museu de arte contemporânea?

O texto fala sobre os espaços de memória, aquilo que escolhemos como memória e o que aprendemos como memória coletiva de um povo; sobre como são feitas as edições que geram a História; e por quem a nossa história coletiva vem sendo construída, lembrada e contada.

 

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VILLA POR DIEGO MOSCHKOVICH

“Villa” é um retorno meu à dramaturgia de Guillermo Calderón, cujos textos “Dezembro” e “Neva” montei em 2015 e 2016, respectivamente. O que acho interessante e muito particular da dramaturgia dele é que ela precisa de pouca coisa: os atores e apenas alguns elementos que potencializem o seu jogo em cena. Nesse sentido, trata-se do tipo de teatro de que gosto e acredito, ou seja, aquele em que o palco é um playground para os atores.

É certo que minhas últimas duas encenações (“O corpo que o rio levou” e “As três uiaras de SP city”, ambas de Ave Terrena Alves) eram bem diferentes. No trabalho com o grupo Laboratório de Técnica Dramática, a pesquisa de linguagem tem sido outra, a da montagem dos elementos para a narração. Em “Villa”, retorno ao trabalho da limpeza. Vemos uma mesa, três cadeiras, as atrizes e mais nada.

Há, no entanto, um dado diferente, trazido pela própria dramaturgia. Se em “Dezembro” e “Neva” a ficção é usada livremente para fazer alguns paralelos de reflexão histórica sobre a realidade latino-americana, aqui, a ficção é apenas o suporte do documento. Sim, todas as discussões trazidas pelas figuras em cena são reais e ocorreram mesmo. Nesse sentido, a encenação busca trabalhar, também, com documentos (reais e imaginados) que possam criar algumas camadas e ligações da peça com as lutas por memória, verdade e justiça.

 

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SOBRE GUILLERMO CALDERÓN

Nascido em Santiago, no Chile, em 1971, o ator, dramaturgo e roteirista Guillermo Calderón formou-se na Escola de Teatro na Universidade do Chile; fez pós-graduações no Actor’s Studio, em Nova York, e na Escola de Teatro Físico D’Ell Arte, na Califórnia; e fez mestrado em teoria do cinema na City University, em Nova York. Atualmente, é professor de interpretação na Universidade do Chile.

Escreveu textos importantes sobre a memória da ditadura, como “Neva” (2006), “Dezembro” (2008) e “Mateluna” (2016). O presente texto, com o nome original de “Villa + Discurso”, teve sua estreia em 2011 no Chile.

SINOPSE

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Três mulheres discutem o que fazer com a Villa Grimaldi, um centro de tortura e extermínio no regime do ditador chileno Augusto Pinochet (1915-2006). O fio condutor é uma urna, onde o voto ganha força. Para além do que fazer com o espaço em questão, são mulheres refletindo sobre suas escolhas e suas trajetórias.

FICHA TÉCNICA

Texto: Guillermo Calderón

Tradução: Maria Soledad Más Gandini

Historiadora: Sonia Brandão

Direção: Diego Moschkovich

Assistente de direção: Diego Chillio

Elenco: Flávia Strongolli, Rita Pisano e Angela Ribeiro

Iluminação e vídeo: Amanda Amaral

Trilha Sonora: LP Daniel

Figurino: Diogo Costa

Cenografia: Flora Beloti

Maquete: Guilherme Tanaka – goma oficina plataforma criativa?

Animação 3D: Caio Mamede

Designer gráfico: Angela Ribeiro

Fotos: Leekyung Kim

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Produção executiva: Iza Marie Micele e Lucas Candido

Produção: Bia Fonseca

SERVIÇO

VILLA – TEXTO DE GUILHERMO CALDERÓN, DIREÇÃO DIEGO MOSCHKOVICH
De 25 de outubro a 24 de novembro de 2018. Quinta a sábado, 20h30. Feriado às 18h
Local: Auditório (3º andar) – 98 lugares
Valores: R$ 25,00 (inteira). R$ 12,50 (meia entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena do Sesc: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Duração: 60 minutos
Recomendação etária: livre

 

SESC PINHEIROS
Endereço: Rua Paes Leme, 195.
Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.
Tel.: 11 3095.9400.

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; domingo e feriado, das 10h às 18h30. Taxas / veículos e motos: Credenciados plenos no Sesc: R$ 12 nas três primeiras horas e R$ 2 a cada hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 18 nas três primeiras horas e R$ 3 a cada hora adicional.

Transporte Público: Metrô Faria Lima – 500m / Estação Pinheiros – 800m

 

Fotos: Leekyung Kim

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